Capítulo 10: Volta ao lar
Eu seguia pela estrada secundária que chegaria à Anhanguera, por incrível que pareça eu estava sem sono, provavelmente o incidente no Alto da Serra fez minha adrenalina subir tanto que eu me sentia desperto como um gato que sai pra transar em cima dos telhados.
Minha seleção de músicas me acompanhava pela estrada, músicas que eu sabia decor, introdução, estrofes, refrões, tudo, eu as vinha cantarolando (mesmo quando as músicas eram formadas apenas de samples de discursos de pastores insanos, como em Welcome to Paradise, do Front 242), eu estava feliz e aliviado, ao contrário do que eu pensei que aconteceria, achava que voltaria puto e inconformado.
Eu dirigia em alta velocidade, queria chegar em casa o quanto antes, para dormir e aproveitar o domingo, fiquei impressionado com a performance do meu gol, a cada minuto eu amava mais aquele carro.
Em uma hora e pouquinho cheguei à Anhanguera, aí pensei: “Pronto, agora é só ir na manha, daqui a pouco estou em SP”. Continuei cantarolando os clássicos dos anos 80 e guiando pelas intermináveis curvas da rodovia.
Olho para o relógio, quinze para as cinco da manhã, estou firme e forte, o céu começa a esboçar o amanhecer, aquela noite de decepção e desespero estava terminando e o domingo me recompensaria com sol e lazer.
Cinco da manhã, o efeito da adrenalina estava passando, comecei a sentir meus olhos pesados, mas estava próximo de SP, dava pra aguentar, o mais difícil já tinha passado.
5:10AM: Olhos mais pesados, começo a perceber que estava começando a ficar seriamente com sono, estava tão perto, não iria parar pra dormir agora, comecei uma terapia intensiva pra me manter acordado:
1 – Aumentei o som no último volume
2 – Abri os vidros e coloquei a cabeça pra fora, o vento frio da madrugada me despertaria
3 – Voltando a cabeça para dentro do carro, cantando muito alto as músicas
No CD Player: a música CINEMA, do ICE MC, começa a tocar, pensei: “opa, essa eu sei mais do que decorado”, fui cantando junto com o ICE: “John Wayne, Eddie Murphy, Alain Delon, Mickey Rouuuurke, Woody Allen, Sean Penn, Marylin Monroe, Whoopi Goldberg! YEAH!”
“Fred Astaire, Kim Basinger”…campos verdejantes, eu correndo por eles, céu azul…”Rachel Welch (yeahhh)”
“Sylvester Stallone”…campos verdejantes, temperatura agradável…”James Dean (yeah)”
“Charles Bronson, Robert Redford”…novamente os campos verdejantes, mas de repente uma onda de fogo surge, queimando tudo ao meu redor, FOGO, os campos agora estavam em chamas, e elas estavam perto, perto demais…então, assustado, acordei.
O fogo dos campos verdejantes tornou-se real, e era na verdade a estrutura do retrovisor esquerdo, já em frangalhos, ralando no guard-rail da Anhanguera, faíscas fumegantes saltitavam dela, o espelho já devia ter ido embora há uns 50 metros, ao me dar conta do que estava acontecendo, fui tomado pelo pânico e o primeiro reflexo foi virar o carro violentamente para a direita, o carro atravessou a pista a pelo menos 100 km/hora, num ângulo de quase 90 graus que somente por milagre não causou uma capotagem.
Para minha sorte (sorte?) nenhum veículo passava naquele momento, a estrada estava completamente vazia, só restava um pequeno problema a resolver: retomar o controle do carro, que, ao virar para a direita, começou a dançar na pista, com destino ao acostamento e o que viesse depois dele. Virei bruscamente o volante para a esquerda, não tenho idéia alguma sobre onde meus pés estavam no momento, se era no freio, na embreagem, no acelerador, talvez estivessem nos três ao mesmo tempo, o carro dançou mais um pouco e depois de umas duas ou três viradas desesperadas de volante, finalmente consegui acertar a direção e ele voltou a ficar sob controle. Após alguns metros, já com pé fora do acelerador, o carro foi perdendo velocidade, e eu me dirigi ao acostamento, até parar por completo.
Foi só então que senti uma lancinante dor na perna esquerda, era câimbra pelo movimento brusco que fiz ao pisar em todos os pedais ao mesmo tempo, estiquei a perna me contorcendo, com uma vontade colossal de urrar de dor, e porque não?, urrei, estava sozinho no carro às seis da manhã em uma estrada deserta, nada me impedia de me manifestar da maneira que mais convinha.
Passada a terrível dor, comecei a me conscientizar da situação que acabara de vivenciar, olhei para o retrovisor, não restava nada além de um toco fumegante, mas não era o bastante, eu precisava descer do carro para checar o pior, saí e constatei toda a dimensão do estrago, o guard-rail, além de arrancar o retrovisor, fez duas marcas paralelas de fora a fora na lateral do carro, arrancando a tinta e amassando a lataria consideravelmente, nada foi poupado, eu não queria acreditar no que estava vendo, meu carro, recém comprado, com 24 prestações pra pagar, estava maculado, desonrado, havia perdido a pureza da perfeição, nunca mais seria o mesmo, e isso foi o limite, lágrimas escorreram, eu estava no fundo do poço, todos os eventos da noite voltaram com força total à minha mente, me dei conta que enfrentava o pior dia da minha vida até então.
Mas como numa piada dos deuses, havia ainda um último e derradeiro ato para fazer eu me sentir o pior dos merdas: ao olhar em direção a SP, vi a menos de 200 metros a ponte da Anhanguera. Deus, eu estava a pouquíssimos metros de chegar à cidade, onde haveria padarias para eu estacionar e comer alguma coisa, tomar café, enfim, despertar e terminar a viagem tranquilamente, mas ao invés disso, eu estava lá parado, desolado, olhando pro meu golzinho que até poucos minutos era perfeito e agora jazia coxo, manco e aleijado.
Entrei no carro, dei partida, desliguei o som (que estava ligado todo esse tempo), não queria p***** nenhuma de música de flash house para me acordar, principalmente por estar sem sono algum após o ocorrido. Fui para casa, mais 35 minutos de agonia, querendo chegar logo, estacionar o carro, dormir e acordar 18 horas depois, torcendo para que nada daquilo tivesse acontecido.
Capítulo 9: A despedida
Saindo do terrenão plano que caracterizava o cume do Alto da Serra, eu continuava acelerando com o um louco pela estradinha que descia até a cidade, a manquinha me acalmou, dizendo “Calma, agora não tem mais perigo, vai mais devagar”, desacelerei, meu coração batia pelo menos 500 vezes por minuto, nunca havia visto nada igual aquilo que acabáramos de presenciar.
Conforme fomos nos distanciando, me acalmei e perguntei pra ela:
Eu: “Pelo amor de Deus, o que era aquilo?”
Ela: “Ai, acho que sei o que é.”
Eu: “VOCÊ SABE O QUE É?”
Ela: “Acho q sim, de vez em quando um grupo de umbanda vem nesse morro, fazer seus cultos pro demônio.”
Eu: “E tinham que cultuar o diabo justo hoje?”
Ela: “É um grupo de magia negra, existe lenda dizendo que eles sacrificam até cavalos em seus cultos”
Eu: “p#@# que pariu, e queriam meu carro.”
Ela: “Ou quem tava dentro dele.”
Olhei pro relógio, 3 horas da manhã, não queria passar mais 10 minutos naquele lugar, eu tinha que ir embora. Ela me disse: “Dorme na minha casa, amanhã vc vai embora à tarde, domingo é legal aqui”, depois de tudo que passei, já não me importava com desculpas esfarrapadas, mandei um: “Não, preciso ir, prometi que ia levar minha mãe na casa da minha avó″. Ela ainda insistiu, mas eu estava irredutível, por fim perguntou, meio que sem graça, sabendo que não havia clima: “Vc me liga?”, eu: “Ligo, pode deixar, tchau.”
E assim, 3 horas da manhã, saí da Serra Negra, rumo à minha casa, aliviado por ter me livrado daquele lugar. Agora éramos apenas eu, meu gol e meus cds de Flash House e Anos 80, não lembrava de já ter me sentido tão feliz em voltar pra casa.
Capítulo 8: The Call of Ktulu
O clima entre nós não era dos mais tranquilos, eu estava puto por ter dirigido 3 horas pra encontrar uma aleijada mentirosa e ela estava p#@# por eu não tratá-la como uma princesa, que, na cabeça dela, era o que eu deveria fazer.
Diálogos praticamente não aconteciam, não havia o que conversar, nossos mundos eram completamente diferentes, o fato é que apenas uma coisa nos unia naquele momento: SEXO. Eu aceitaria f**** com a manquinha e ela aceitaria f**** com um desgraçado insensível, cada um com seus seus mais secretos motivos para levar a cabo o coito maldito.
Eu fiz a clássica pergunta: “Tem algum lugar tranquilo onde a gente possa ‘conversar’?”, ela respondeu mecanicamente: “Tem, O ALTO DA SERRA, eu te ensino o caminho”, imaginei na hora quantos sujeitos ela já não tinha enganado e levado para o tal alto da Serra, seu local de abate, onde ela os fazia sucumbir em êxtase, enquanto cavalgava-os, mesmo que com certa dificuldade.
O caminho não era dos mais longos até o Alto da Serra, chegamos lá rapidamente, ela comentou que a vista do local era muito bonita durante o dia, eu imagino que sim, mas durante a noite era um breu danado, como um close das nádegas do Robson Caetano, a única fonte de iluminação era o céu estrelado, muito estrelado melhor dizendo, não essa b%@¨& de céu que vemos na capital.
Aquela parca iluminação me fez pensar: “Mas que local perfeito, aqui a foda vai ocorrer sem preocupações, sem interrupções, pode até vir a ser bom, quem sabe a aleijadinha não me recompense com um boquete celestial?”.
O cume do Alto da Serra era um terrenão gigante, pouco maior que um campos de futebol, plano, de terrão, era chegar, estacionar e começar a tirar a roupa.
E foi isso que aconteceu, estacionei, troquei 5 frases esdrúxulas com ela e, esquecendo dos sentimentos que compartilhávamos um para com o outro, parti para o primeiro beijo, seguido de mão no peitinho. Eu ainda no banco do motorista e ela no do carona, carícias lentas e ritmadas nos mamilos por cima da camiseta, sua resposta a tal investida veio em forma de gemidinhos safados, era sinal verde, meu Brasil.
Entre um beijo e outro, tirei sua camiseta, percebi que ela gostou, sem dar sopa pro azar, abri seu sutiã e, para minha surpresa, dois belos melõezinhos se revelaram, durinhos, quase nunca utilizados. Minha sorte estava mudando, estava quase esquecendo que ela mancava, fato do qual, seu eu lembrasse, causaria ausência instantânea de ereção.
E por falar em ereção, sim, eu estava ereto, os melõezinhos foram a gota d’água para a paudurescência, posso dizer tranquilamente que no momento eu estava com um tesão voraz na aleijadinha.
Entre uma mamadinha e outra, a safadinha pede para eu tirar minha camiseta, eu tiro e ela começa a desfilar lambidinhas em meu corpo, indo até a cintura. A ereção chega a seu auge, um colosso se agitava dentro da minha cueca, não havia mais volta, eu iria passar a rola naquela manquitola.
Ela desabotoa minha calça, desce o ziper, desliza as mãos para sentir a pulsação constante do meu membro e então, sem vacilar, abaixa minha cueca e começa a desenvolver uma senhora chupeta, indo e vindo, lentamente, de maneira suave e molhada, muito molhada, o tesão aumentando torrencialmente, e ainda por cima ela estava de minissaia, o que facilitava colossalmente meu trabalho.
Enquanto ela me chupava, eu precisava fazer o teste final do tesão feminino, me certificar de que ela estava pronta para a fornicação, em outras palavras, tinha que sentir a lubrificação de sua xoxota. Pedi para ela, que já estava inclinada do seu banco para o meu, abrir as pernas, para que eu pudesse acariciá-la também, ela abriu facilmente, para meu espanto, gesto que revelou uma calcinha branca de rendinha, daquelas que deixam à mostra a cordilheira de pelos pubianos, pois é, a marotinha havia saído de casa pronta para o amor.
Comecei a deslizar o dedo médio por cima da calcinha, a garota fazia questão de tirar meu pau da boca para gemer, depois abocanhava-o de novo, com apetite, ela estava úmida, preparada, não havia mais o que impedisse a penetração, ainda assim, eu puxei sua calcinha de lado para conferir in loco seu grau de excitação, e que bela surpresa, meu dedo se besuntava de secreção vaginal, num deslizar macio, aquela vulva quente suplicava por um falo, e logo seria saciada.
O blowjob que ela aplicava era profissional, não havia falhas, a manquinha sabia mesmo como sugar um c*******, foi então que percebi que se ela não parasse eu acabaria gozando, o que seria um total desastre, pois após a loucura da ejaculação, vêm a sanidade pós gozo, e se eu ficasse são naquele momento, lembraria do moonwalk invertido, o que resultaria numa impossibilidade total de segunda ereção.
Pedi pra ela parar, mas ela continuava, a safada queria lactose, eu insisti, disse que precisava fudê-la de qualquer jeito, não aguentava mais ficar sem sua bucetinha quente, era a hora da penetração.
Ela relutantemente aceitou, voltou à posição normal em seu banco e desceu-o para trás, estava pronta para consumar o pecado original e eu estava em ponto de bala, tanto que estava até um pouco preocupado com a hipótese de ejacular com um número diminuto de bombadas, queria f**** muito, sair dali suado, mas com cuidado para evitar o clímax. Se ela quisesse, que gozasse 300 vezes, mas eu não podia ejacular, por tudo que já foi dito aqui.
Passei pro outro lado e me ajoelhei em frente a seu banco, meu c******* pulsando loucamente, aquela xoxotona molhada atraindo-o, como se fosse um buraco negro, eu estava cego de tesão, queria penetrá-la com toda a força, mas em meio a tudo isso tive a sensatez de sacar uma camisinha. Enquanto isso, ela ficava meio que gemendo, meio que falando: “Vem, vem logo, vem me comer”, eu respondia com um “Calma, vou só colocar a camisinha”, minhas mãos tremiam, aquela b%@¨& de embalagem de preservativo não abria, eu beirava a insanidade, estava pingando de suor, os vidros do carro fechados e embaçados, dedos escorregadios, c*******, eu não conseguia abrir aquela maldita embalagem.
Usei o último recurso, mordi a embalagem e a rasguei em fúria, com gestos primitivos, naquele momento eu já havia sido rebaixado de homo-sapiens para cro-magnon, estava descontrolado, a fêmea gemia, eu queria montá-la como um cavalo, foi então que finalmente consegui colocar a camisinha, e, feliz por tal conquista, comecei a desenrolá-la, com cuidado para que…
TUM, TUM!
Silêncio absoluto dentro do carro, gemidos cessados, respiração cessada, batimentos cardíacos cessados.
TUM, TUM!
Ela, sussurrando: “Meu Deus, o que é isso?”
Eu: “c*******, como vou saber, mas não tá longe.”
TUM, TUM……TUM, TUM, era um som de tambor.
Eu: “p#@# que pariu, que m**** é essa?”
Ela: “Eu não sei, nunca ouvi isso antes!” (nunca ouviu antes = f***** inúmeras vezes ali e nunca foi interrompida por tambores do inferno)
TUM, TUM, TUM…TUM, TUM, TUM, agora estava mais próximo
Eu: “c*******, me fala logo que b%@¨& é essa!”
Ela: “Eu não sei, p*****, eu não sei!”
TUM, TUM, TÁ, TUM, TUM, TÁ, cada vez mais próximo
Olhei pra baixo, pau completamente mole, cena grotesca, camisinha dependurada, enrugada, triste, pulei pro banco do motorista, sentei, arranquei o preservativo e levantei a calça. Pedi para a aleijada ficar quieta enquanto eu tentava ver alguma coisa, percebi no momento ela se arrumando, colocando vagarosamente o sutiã. Definitivamente, qualquer possibilidade de sexo estava arruinada a partir daquele momento.
Vesti minha camiseta, sem fazer barulho, ela arrumou o banco, também em silêncio. Quando olhei pelo virdro do meu lado mais cuidadosamente, pude ver a fonte dos barulhos.
Pequenas luzes, vultos, muitos vultos e…tambores! Estavam vindo na direção do meu carro, o desespero tomou conta não só de mim, mas também da manquinha, eu podia ver em seus olhos, ela não sabia mesmo o que estava acontecendo, TUM TUM TÁ, TUM TUM TÁ, eles se aproximavam, agora já dava pra distinguir pelo menos 30 vultos naquela escuridão, eu passava a mão freneticamente pelos vidros embaçados, numa tentativa louca de limpá-los e melhorar a visão à nossa volta.
Foi então que pude confirmar, havia mais de 30 indivíduos vindo em nossa direção com velas acesas, havia homens, mulheres, velhos e velhas, era como se todos tivessem saído de um conto de H.P.Lovecraft, negros altos sem camisa tocavam tambores, mulheres negras rodopiavam, velhas fumando sambavam num ritmo diabólico.
Estavam a menos de 20 metros, naquele momento eu tinha duas escolhas:
- ficava paralisado pelo terror, esperando o que iria acontecer ou;
- tomava uma atitude.
O instinto de sobrevivência falou mais alto, virei para a manquinha e disse “Eu vou ligar o motor e sair a milhão daqui, cuidado aí”, ela: “Tá, vai logo, por favor”.
Quinze metros, aqueles seres estavam decididos, apertaram o passo em nossa direção, os negros altos sem camisa tomaram a frente, os tambores ficaram mais intensos, era agora ou nunca!
Tremendo e suando, consegui girar a chave no contato, o carro ligou de primeira (eu amava aquele golzinho), e no mesmo momento em que liguei o faról alto, acelerei loucamente, levantando poeira e derrapando, enfim, o carro se moveu, agora as criaturas já estavam há menos de 10 metros, vieram pra cima do carro, a aleijadinha deu um grito de terror, desviei dos seres e acelerei o máximo que pude para escapar mas no desespero, errei a marcha, o carro vacilou, senti uma batida violenta de algum braço na lateral do carro, engatei corretamente o câmbio e pisei no acelerador como nunca, gritando insanamente: “VAI, c*******!”, e agradecendo a Deus pelo carro não ter morrido.
Ainda em pânico, olhei pelo retrovisor, e mesmo com o vidro embaçado pude ver as pequenas chamas das velas se distanciando ao fundo.
Capítulo 7: A Baladinha
Rumamos para o tal local da balada, era uma danceteria, mais uma vez, estacionamos o carro por perto e nos dirigimos para a entrada do recinto. Chegando lá, duas boas notícias, uma já esperada, que era o fato dela não pagar a entrada, a outra, que me surpreendeu bastante, era que o preço da balada não estava tão alto, era apenas 2 vezes mais caro que o habitual e não 5, como eu imaginava.
Ao entrar, me deparei com mais playboys, que dançavam freneticamente ao som dos piores technos do mundo, cheguei até a perguntar pra manquinha: “Aqui toca Prodigy?”, a resposta: “HÃ?”.
Eu tinha alcançado o ápice do desânimo, acredito que nem 4 litros de whisky me animariam naquela noite, eu balançava o corpo numa tentativa frustrada de acompanhar aquelas batidas repetitivas, que deveriam ser sucesso em Ibiza.
Eis que olho para minha direita e vejo a manquinha agitando um p#@# techno junto com seus amigos, ao som de animados “Uhu!” acabados de sair de algum capítulo de malhação. Ela dançava freneticamente e minha vergonha também aumentava freneticamente, cheguei perto dela e disse: “Vou pegar alguma coisa pra beber, vc vêm?”, ela: “Não, vai lá, eu gosto dessa música!”, eu: “Blz”, e me perguntei “Que música? Essa gigantesca que vêm tocando há 45 minutos?” .
Fui até o bar, e foi então que vislumbrei a incrível oportunidade de sumir dali, esquecer que um dia pisei em Serra Negra, que conheci aquela horda de palhaços, aquela família sinistra e principalmente aquela aleijada mentirosa.
Mas não fiz nada disso, apenas peguei uma cerveja e fiquei ali parado, observado o Circus Maximus de Serra Negra, o clubinho fechado de playboys se divertindo, até procurei pelas câmeras e pelo diretor, porque tinha certeza que participava do piloto de alguma nova série sobre jovens, entitulada de “Mancação” ou “Aleijados no Baile”, algo assim.
Então o techno cessou, simples assim, a música de 60 minutos cessou, paz por alguns segundos, e de repente começou a tocar Hip Hop, claro que não era o hip hop que eu gostava, seria pedir demais, era aquele lixo que toca em rádio de baiano, como Metrô FM e Transamérica.
Fui até a manquinha, e mais uma vez falei: “Então, vamos sair daqui?”, ela: “Ai, espera um pouco, eu conheço o DJ, vou pedir pra ele tocar o MELÔ DOS TIRINHOS”, eu: “Ah, tá”.
Fiquei pensando “Que c******* é esse de Melô dos Tirinhos?”, enquanto minha raiva aumentava cada vez mais, tanto por estar sendo enrolado por uma coxa quanto por não conseguir fugir daquele lugar desgracento.
Foi quando começou a tocar o tal Melô, era uma música do Bone Thugs-n-Harmony, não lembro o nome da canção, não faço questão de lembrar e se você está curisoso, procure no Google. Falei para ela: “Ah, é legal esse som, depois dele a gente vai, certo?”, ela, meio que nervosinha, respondeu: “Tá, tá bom, então”.
Quando acabou a música, a manquinha toda contrariada, se despediu dos amigos e eu mandei um clássico “Falou!” pra eles, com o polegar levantado e tal. Fomos para o caixa, pagamos sem maiores problemas e saímos daquela b%@¨& de lugar.
Pausa para uma constatação, por mais óbvia que seja:
A manca era deficiente das pernas, não do cérebro, e ela deve ter percebido claramente no primeiro olhar que eu fiquei frustrado ao descobrir sua deficiência, ressalto que fiquei frustrado com razão, porque ela simplesmente não me avisou que era aleijada.
Ao perceber minha reação inicial, ela resolveu dar uma chance, para ver como eu me comportaria nos próximos 15 minutos, se eu ignorasse seu caminhar torto, tudo estaria bem, senão, se eu continuasse me sentindo incomodado, ela me daria uma lição.
E acho que a lição foi dada, ela também estava com raiva de mim a partir do momento que chegamos no centro da cidade, qualquer pessoa percebe que está sendo desprezada, ainda mais quem convive com uma deficiência desde tempos imemoriais. Ela se divertiu enrolando o máximo que pode no centro e depois na balada, uma espécie de c* doce distorcido, movido pelo ódio, e não pelo charme.
Reflexão feita, constatação óbvia relatada, seguirei para o desfecho da história.
Capítulo 6: Centro de Serra Negra
Ah, o centro de Serra Negra, centenas de pessoas conversando, matando o tempo, bebendo e brigando, que bela visão. Estacionamos o carro e fomos em direção aos amigos dela, passando por todo tipo de idiota nesse pequeno trajeto.
Eu estava envergonhado por andar com a aleijadinha, essa é a grande verdade, todas as outras minas eram normais e eu não cansava de me perguntar por que aquilo tinha que acontecer justo comigo, de milhões de mulheres no mundo, de centenas de mulheres no Almas Gêmeas, por que justamente a que escolhi era coxa?
Eu não pegava na mão dela, não iria ser namoradinho da manquitola, eu seria o amigo legal que não discrimina uma pessoa deficiente, mas somente isso, um amigo.
Ao chegar em sua turminha de babacas, dessa vez percebo que todos são extremamente carinhosos com ela, todos a tratam muito bem, saquei na hora que isso não era normal, os miseráveis eram uns hipócritas ainda piores que eu, que havia começado a praticar aquele ato de ignorar a deficiência dela há algumas horas, eles praticavam isso há anos.
Entre os outros membros da turminha, era zueira e alopração, mas com ela era tudo cuidadoso e amável, eu olhava aquilo e pensava: “Mas que bando de filhos da p#@# travestidos de anjos filantrópicos, aposto que por trás se racham de rir da manquinha, a imitam, se divertem a noite inteira às custas dela, não duvido que até transem imitando aleijados, num êxtase de bestialidade.”.
Virei para ela e disse: “Então, vamos dar uma volta, me mostra outras coisas da cidade”, ela respondeu ainda entorpecida pelos bons tratos dos amigos canalhas: “Espera um pouco, tá legal aqui, acho que a gente vai para a baladinha da cidade, daqui a pouco”.
“Baladinha da cidade = Gastar mais dinheiro”, era o que eu pensava, e devia ser muito mais dinheiro, porque a balada daqueles cretinos abastados só podia ser no mínimo 5 vezes mais cara que os bares de rock fuleiros que eu frequentava em SP.
Passaram mais alguns minutos, eu calado olhava em volta para aquele mundo de faz de conta povoado por boçais, até os amigos dela começarem a agitar: “Estamos indo pro …. (não lembro o nome do lugar, mas era a tal balada), vamos?”, “Ei, ….(a minha paquera virtual), leva o seu NAMORADO!”.
“Peraí, namorado, que p***** é essa?”, os meus piores pensamentos eram reais, todas aquelas pessoas, não só os amigos dela, olhavam pra mim e pensavam “Que legal, o cara não liga que ela seja aleijada, namora com ela mesmo assim”. c*******, eu não era namorado dela, não tinha feito contato físico algum, não havia porque achar que éramos um casal.
Nesse momento, eu comecei a ficar com raiva da tortinha, porque provavelmente ela deve ter alardeado para o Brendon, a Kelly, a Donna, o Dillon, o Steve e para todo o resto do elenco do Barrados no Baile que eu era namorado dela e isto me deixou absurdamente emputecido.
Capítulo 5: A Beverly Hills brazuca
Já dentro do meu gol bolinha branco, a garota, animadíssima, diz: “Vamos para a casa de uma amiga minha, vc vai gostar dela e da turma, eles são legais!”
Pensei: “p*****, eu não quero conhecer amigos, quero ficar sozinho com essa mina, fazer valer o investimento para chegar até aqui e sumir”, mas respondi: “Vamoae”.
Agora eu tinha um grande problema: o irmão imbecil dela, o desgraçado ficava falando em corridas de racha, carros tunados, motores mexidos e todas essas merdas de adolescente deslumbrado, aposto que o bastardo não sabia nem trocar um pneu se precisasse. Eu conversava educadamente com ele mas internamente pensava em parar meu carro em uma linha de trem para que uma locomotiva viesse e arrancasse a parte de trás, cessando assim aquele assunto maçante sobre carburadores, nitros e turbos.
Eis que chegamos à casa da amiga da garota, outro p#@# casarão, comecei a perceber que o convívio social da minha paquera virtual era da alta roda de Serra Negra, e eu definitivamente não estava acostumado com isso, visto que meu convívio em Carapicuíba era com caras que compravam cigarros por unidade em camelô.
Entramos na residência, ela nos recebeu e fomos para seu quarto, chegando lá havia mais umas 2 minas e uns 2 caras, todos riquinhos, ouvindo techno de má qualidade, vestidos com as melhores roupas que o dinheiro pode comprar e falando sobre a vida dos outros. Cabe frisar que a garota do casarão era linda, não apenas bonita, mas linda, as outras duas minas também não eram de se jogar fora, e o mais importante, não mancavam.
Obviamente comecei a me sentir diminuído, com meus trajes de plebeu ali em meio àqueles mauricinhos e patricinhas com suas roupas caríssimas, mas tentei relevar isso. Ao contrário da família da garota, eles me ignoraram solenemente, se no meu lugar estivesse um cactus, o efeito seria o mesmo sobre aquelas pessoas.
Após sofríveis 20 ou 30 minutos ali, a playboyzada resolveu sair, “Vamos pro centro!”, a minha paquera do Almas Gêmeas virou serelepe pra mim e disse: “Vamos, vamos!!”, respondi com um inaudível “Vamos”.
Todos os carros eram melhores que o meu, e eles não tinham que pagar em 24 vezes, eram moleques de 18 a 20 anos com carrão patrocinado pelo pai. Eu me sentia como um personagem de raps dos Racionais, mas mesmo assim fui em frente.
Para minha sorte, o cretino do irmão dela foi com um dos playboys para o glorioso centro de Serra Negra e eu finalmente tive um momento de privacidade com a garota.
Eu estava cabisbaixo, tudo saía errado naquela noite, primeiro a surpresa em forma de deficiência, depois a família bizarra e agora os amigos saídos do seriado Barrados no Baile, eu acreditava que a cota de azar da noite já tinha sido batida com folga. Vendo como eu estava, ela perguntou, meio insegura: “Está tudo bem?”, respondi “Está, é que achei que fosse ficar sozinho com vc, não esperava por essa de balada com seus amigos”, ela “Ah, eles são legais, vc vai gostar deles!”.



